AUGE

  Me chega na forma de vozes,
palavras velozes, agudos de aves,
  me chega com anos de atrasos e planos,
me chega nos ecos, palácios perdidos,
  nuvens, zumbidos, subterrâneos.
  
  Chega de evasivas, chega de frases vazias
Chega de ver fantasmas ao meio-dia.
  Chega de carnaval, chega de fantasia,
chega de fazer de conta
  que Atlântida existia.
  
  Chega. Tudo chega. Chega o auge.
O que eu sou me chega.



		p. leminski
publicado em 14 de setembro de 1986 no jornal Correio de Notícias

 

inéditos ou quase:

(originalmente em Elekistão, na Folha de S. Paulo 01/03/13)

 

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