|
Nove para nunca
(um lembricídio)
O silêncio de uma sombra
só ouve quem se deslumbra,
sólembra quem se pergunta
donde vem tanta penumbra.
Memórias o tempo leva
mil anos levando embora,
luscos que vêm de dentro,
qual fuscos não comemora?
O coração que vai nisso
não é o de antigamente,
aquele troço esquisito
que o bicho tem quando sente.
É mais um relógio suíço
do que uma estrela cadente,
tiques ao longo da noite,
taques por dentro da gente.
p leminski
Correio de Notícias, Curitiba, 20 de fevereiro de 1986
|