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"Clipping" dos CDs com poesia oralizada, musicada ou poemas canções, em leituras históricas e outros experimentos afins.
nº3 palavra & canção [ pop box - http://www.gratisweb.com/popbox ]
polivox
RODRIGO GARCIA LOPES

polivox
sercomtel - colunistas

André Luiz Gonçalves de Oliveira

Está sendo lançado por esses dias o CD Polivox, de Rodrigo Garcia Lopes. E é muito bom poder ouvi-lo e comentá-lo, sobretudo ouvi-lo. O poeta estréia como compositor e músico atuando em todas as etapas de produção, desde as concepções, arranjos, violões, voz, concepção de mixagem.... Segundo o próprio autor, o disco todo foi concebido e produzido dentro de um ano, porém há músicas que datam de 1994 e outras que foram sendo desenvolvidas no estúdio nesse ano, durante os trabalhos no estúdio. Trata-se de um disco autoral. O autor teve cuidado de manter certa linha estética durante todo o disco, tarefa em que se saiu muito bem. Rodrigo dialoga de maneira madura e consciente com tendências da música popular paulistana (pós-vanguarda paulistana). Aliás, isso que eu chamo música popular paulistana, não é tão apenas paulistana assim quando lembramos de nomes como Arrigo, Itamar e Robinson Borba, entre muitos outros que não eram de São Paulo. E dizer que há este diálogo, não é de modo algum engavetar o Polivox de Garcia Lopes. Como já disse é um trabalho maduro, surpreendente para um primeiro disco, mas compreensível e não menos admirável quando se sabe que Rodrigo toca e compõe não é de hoje. Há alguns aspectos que chamam a atenção e que merecem destaque como a qualidade musical do trabalho e a qualidade técnica, desde gravações, edição e mixagem. Rodrigo afirma que acompanhou todos os processos muito de perto, e isso com certeza possibilitou reconhecê-lo em todas as músicas. A qualidade musical é algo que o ouvinte pode se impressionar. O disco tem uma estruturação consciente, e tem basicamente três gêneros de música utilizando letras e sons. O músico faz canções, poemas lidos com ambientes sonoros ou salas sonoras


originalmente em
como diz o próprio compositor, e poemas lidos no seco, sem nenhum acompanhamento. No entanto, é interessante notar que tais classificações têm fronteiras que se movimentam, e assim há músicas que se encaixam em mais de um gênero entre elas as faixas "o assinalado" e "a solidão". A mixagem e todo trabalho de edição também são fatores que chamam atenção por estarem muito bem cuidados. Em certas músicas, como "thoth", "el duende", "o assinalado", a edição e mixagem dão conta de um interessante flerte com a música eletroacústica. Esse flerte se dá principalmente via música concreta, quando o compositor mostra a intenção de trabalhar com o texto enquanto objeto sonoro.
capa CD Polivox
Ele mesmo afirma que busca abandonar a idéia da letra como um acessório para a música. Rodrigo quer fundi-las. O diálogo com essa música popular paulistana fica mais nítido, sobretudo nas canções. Para deixar claro o que estou entendendo como parte dessa música popular paulistana, podemos ter em mente nomes como Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção, José Miguel Wisnik, Luiz Tatit, Ná Ozzéti, entre tantos outros. A semelhança com Wisnik e Tatit, não é apenas de titulação acadêmica, suas canções têm letras bem colocadas, além de muito bem escritas, adequam-se bem aos tipos de melodias escolhidos. As relações observadas porém, transcendem essa esfera de doutores em letras e músicas. Rodrigo se relaciona com todo esse movimento na concepção harmônica de suas canções. Há uma referência comum à uma harmonia de transição tonal/pós-tonal.
A própria presença de Neuza Pinheiro dá um referencial (histórico, inclusive) a essas relações com essa música meio paulistana, meio norte paranaense.

Enfim, é um disco muito bom, e muito bom de ser ouvido. Parabéns Rodrigo e que não fique apenas nesse. No endereço www.cafemouse.com.br/polivox pode-se obter mais informações sobre o disco.

E no dia 20 de dezembro poderemos assistir e ouvir o pré-lançamento do show que vai divulgar o CD Polivox. Rodrigo pretende mostrar no palco todas as faixas do CD, e pra isso contará com a participação de Neuza Pinheiro (que cantou em muitas faixas do disco) e dos músicos Luciano Galbiati (bateria) Ângelo Galbiati (Guitarra e violão) e Waldir Moura (contrabaixo).

ficha técnica


Rodrigo Garcia Lopes - Violão, voz e efeitos
Ricardo Garcia - Percuteria
Neuza Pinheiro - Voz
Mauricio Grassmann - Programação
Marco Scolari - Teclados e acordeon
Sidney Giovenazzi - Baixo, violão e teclados

Gravado e Mixado em Pro Tools 24bits
Masterizado em Sound Forge

 

saiba mais sobre
o livro Polivox
consulte os sites:


Balacobaco
Anexo
Revista Cult nº 35

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clique para ouvir   ouça "Cerejas" de Rodrigo Garcia Lopes (real audio 48,4kb)


Û Ý ´ ¥ Ü * e-mail: Elson Fróes