Leminski: Poesia entre o Sol e o Aço

Paulo Leminski escreveu dois notáveis poemas — um dedicado a Mishima, outro a Walt Whitman — que nunca foram incluídos em seus livros. O primeiro, “guerra sou eu”, faz parte do posfácio de Leminski à sua tradução de Sol e Aço, ensaio autobiográfico do escritor japonês Yukio Mishima, que cometeu suicídio no Quartel das Forças Armadas de Tóquio, nos anos 70; o segundo, “with the man”, foi incluído no prefácio que Leminski escreveu para Folhas das Folhas da Relva, de Geir Campos, antologia de poemas traduzidos do bardo americano, inventor do verso livre, que antecipou a cultura beat. Mishima. Whitman. Dois heróis. Dois arquétipos. Dois poemas de circunstância. Com medula óssea, sangue e respiração. Poemas que não podem ficar de fora. De nossa parte, esse esforço de resgate, pois “um pouco de beleza é alegria que dura para sempre”.




guerra sou eu
guerra é você
guerra é de quem
de guerra for capaz

guerra é assunto
importante demais
para ser deixado
na mão dos generais


	p leminski
	85




WITH THE MAN

aqui
no oeste
todo homem tem um preço
uma cabeça a prêmio
índio bom é índio morto
sem emprego
referência
ou endereço
tenho toda a liberdade
pra traçar meu enredo

nasci
numa cidade pequena
cheia de buracos de balas
porres de uísque
grandes como o grand canyon
tiroteios noturnos
entre pistoleiros brilhantes
como o ouro da califórnia
me segue uma estrela
no peito do xerife de denver


	Paulo Leminski
	(1983?)

 

inéditos ou quase:

(colaboração: Claudio Daniel)

 

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