O SONETO ACIDENTAL
O SONETO ACIDENTAL
Na atualidade, nossa poesia abunda em casos que, embora não sejam
sonetistas nem alimentem particular apreço pelo soneto, nele incursionam
ocasionalmente. O descompromisso com o molde faz com que alguns exemplos
bissextos resultem em experiências bem-sucedidas que, a sonetistas
habituais, talvez não ocorresse a tentação de testar. Abaixo apresento
um pequeno painel de tais casos, representados por autores cujo
tirocínio já tem sido referendado noutros campos poéticos e que aqui
aparecem como se estivéssemos num laboratório de sonetística
experimental:
UM ACIDENTE [Arnaldo Antunes]
O mal estar que exala quem discorda
Porque não sente quase ou não entende
Concorda bem com o de quem assente
Sem romper a casca, e não acorda.
Somente se distar de estar de frente
Distrai a sua mente da derrota.
Distante como diante de uma porta
Destrói na letra preta o branco ausente.
A vida do sentido o incomoda -
Vigor de ponta a ponta da serpente
Que o branco ovo a cada dia lota.
Suporta, não se importa ou então mente,
Não compreende o que o prende à borda -
O ouro da palavra, um acidente.
PRIMEIRO MOVIMENTO [Joca Reiners Terron]
Abrandou-me; cobriu-me co'a anca;
disse dorme; o olho na névoa;
abençoou-me; corpo(s em) trégua;
cum pisco da pálpebra branca;
Pele pele-manta; imanta
a culpa; monstra-encrenca;
e afronta; pele, pele branca;
o cancro que minha mente enfrenta;
brinco inca; câmara de tintas;
finca pé ante o nono sono;
campo bento em que Onan brinca;
Palmo calmo de pele; pele-nuca;
naco branco que toda boca trinca;
lacero-te; mas; não; nem; nunca; nunca
SONETO COM ENJAMBEMENT A MATA HARI [Luiz Roberto Guedes]
A dançarina Margareth Zelle
fez fama na milícia do amor:
gozava sem quartel enquanto a Belle
Époque agonizava com fragor.
Maníaca por manu militari,
fazia tanto franco ou alemão.
Em sua cama neutra, Mata Hari
apaziguava a carne pra canhão.
Mas quem abria as pernas pro inimigo,
devia abrir segredos para o boche:
o fogo dos fuzis foi seu castigo.
Aberto enfim o mais secreto arquivo,
não prova crime além de seu deboche.
Mataram Mata Hari sem motivo.
A CARNE E O TEMPO [Fábio Weintraub]
(para Donizete Galvão)
Quando lustro e turgor forem perdidos
e o pó cismar espesso sobre a pele
quando o vinho secar de teu umbigo
e ao seio faltar toque que o modele
quando o dia ao nascer já não revele
ao teu palato um gosto não-sabido
e quando mesmo a ti pareça reles
e baço o escasso roxo de teus figos
vê logo que esse tempo não é mau
nem triste a carne ao cabo de mil cios
O fogo rói a cera e o castiçal
mas fica-te a memória dos pavios
Que o sangue ultrapassado em cinza e cal
conserva além da luz feição de rio
SONETO EM ESPIRAL [Ronaldo Bressane]
[. Por que isso um parafuso espanado?
imagem tola, a que não se louva e que
não ilumina, de objeto abjeto, contato
sem cola; ego cego, sem nem porquê;
premido aqui pra dentro da parede
num tijolo raro, corroído, morada
de bichos rudes , as espirais tentam
agarrar-se, mas lisas, com nojo e raiva,
girando falso carne-esponja que retém
ferramenta, ferro e fenda a um só rangir;
de fora vêm mil empurrões, vãos, porém:
fora o mundo é falso feito o escondido
e na vertigem desta fé vil me convém
girangirar até outro lado] o céu perdido
[A SIBILA] [Fernando Fábio Fiorese Furtado]
E quisera descarnar as máscaras
do mistério que, mesmo sob esporas,
resiste, e me desafia a existir
quando o desamparo me desposa.
Mas tudo que desvelo são desertos.
Não há fuga, habito as distâncias.
O silêncio urge e me desperta
para o inventário de suas lanças.
Eis o cacto, a serpente e a pedra.
Toda brutalidade se avizinha,
em meus lábios nenhum deus vocifera.
Aqui, tudo que digo é diferente,
a palavra circula sob o turvo
e, como antes da queda, esplende.
ASSIM É A VIDA [Domingos Pellegrini]
A carne quando nova, que beleza
mas vem o tempo com rugas varizes
cascas cansaço calos cicatrizes
careca corcunda cegueira surdez
Olhar sem brilho, gesto sem leveza
à tarde saudade dos dias felizes
à noite a respiração em crise
um dia a menos, única certeza
Valeu a pena viver para isso?
e valerá a pena viver mais?
Mas a carne resiste, eis a verdade:
agarra-se às sopas e ao suspiro
dorme com medo de não acordar
e quando dorme enfim, que dignidade
FALHAS [Marcelo Tápia]
por mais que tente o mais e mais de mim,
falhas de nascença renascem filhas
dos erros, brotam errantes de medo,
refazem cursos feitos de deslizes;
e eu, humano em limites e em vacilos,
conformo-me com as tortas matrizes
do meu eu, do meu ser e do meu corpo,
e pelas falhas meu perdão concedo
a mim, e sigo e sigo por princípio,
que só não seguirei depois de morto;
e assumo os buracos e desacertos
que entrementes entrem no meu caminho
repisando-os pra poder chegar perto
de um sim que se acerte por si e por
fim
MALOGROPÉIA [Luís Dolhnikoff]
dançam as idéias entre as palavras
demais a mais não há mais fala alguma
música não alivia nem livra
a própria alma a quem não tem nenhuma
penso logo uma logopéia logro
um pouco de prazer é quase tudo
está dito a vida é o grande malogro
por malogro por milagre estão mudos
ainda escrevo escravo preso a cravos
não tem espinhos uma rosa morta
a última flor do jardim me priva
da verdade a entropia que aporta
talvez seja fácil este meu ofício
é impossível o possível vazio
ÁRIA PARA CRAVO E FLAUTA (para Léo Affonso Soares) [Cacaso]
Momento suspenso e vário
feito de renda e contraste:
Escamas pulam do aquário
abrindo-se em véu e haste.
A frase que é doce e larga
provém de madeira incauta:
São séculos de vida amarga
em cinco linhas de pauta.
Momento de claro-escuro
que às vezes pinta o universo
em tela de renda ou muro.
Meu suicídio é diverso
e morro no ar qual se fosse
som de cravo e flauta doce.
A RECONSTITUIÇÃO DE UM POEMA [Frederico Barbosa]
Traços de tinta no papel cortado:
pedaços de uma mesma declaração
reiterada a cada palavra vaga,
mesmo a mais errônea e emocionada.
Esse seu soneto (ainda mais um)
minha mão insegura, tola e tonta,
pronta a tramar sua própria destruição,
em momento algum logrou rasgar
Pois mesmo cega faca e inconstante,
sendo incapaz de se saber feliz,
confiar na felicidade que há,
sabe e sente que ser é diferente,
nesse mundo de triste imperfeição,
quando se ama de forma tão exata.
NÃO HÁ SINAL DE PORTO ALGUM (a Mauro Fonseca) [Júlio César Polidoro]
Esse tempo sem ganidos lépido rijo
abre fendas entre os vãos das pernas, querelas
lapidando a permanência; sou cão e mijo
sobre os postes do que passa e passo como elas
Velas apagadas no espaço em que transijo:
o acendedor de lampiões no breu das celas
concentro o leme a rota penso que dirijo
dirijo as impressões e me impressiono nelas
O rumo dessa sorte pela sorte crua
ao ritmo dos ventos remado pela lua
invento a escuridão e o caos me é propício
Mas eis que em conclusões e convulsões assisto
à margem dos senões a margem do que avisto:
o porto a contramão o cais o precipício
O EXEMPLO DA PEDRA [Márcio Catunda]
Imersa na solidez consistente.
Sentindo a infinitude sem idade,
posta em secreta rigidez latente,
a pedra mostra sua integridade.
Ante a fruição da animalidade
que anda no alvoroço incoerente,
observa a orgânica fragilidade
e no silêncio jaz indiferente.
Dureza imóvel, ríspida, encantada,
aceita a sorte com serenidade,
livre do medo e da fatalidade.
Se o vento sopra pela imensidade
ela reconhece a necessidade
de se sentir em pó transfigurada.
RADIOGRAMA [Paulo César Feital]
Pelas entranhas do planeta que pisavas
Reboa o eco do teu fim, um radiograma
E logo os vermes, lesmas, rondam tua cama
Loucos, famintos dessa massa em que moravas
O lar vedado, de madeira, que pensavas
Eternamente proteger teus quilogramas,
É pouco a pouco invadido pela lama
E pelos seres que, de nojo, tu matavas.
Pelos ouvidos ficas logo sem retina
E rilham garras, batem antenas, perdes peso
E na bexiga larvas bóiam na urina
Resta o esqueleto, tanto tempo ao corpo preso
Na exumação mostra-se livre e sorridente
Ao choro falso e ambicioso dos parentes.
SONETORGIA [Sérgio Rojas]
Enquanto ela embarca num vídeo-clip
o menino vai de computador
e o ministro exclama na sala VIP:
a vida não é jogo pra amador
Enquanto na terra pro fim não falta
nas bocas impera a desnutrição
no cosmos já passeia o astronauta
e os Deuses hesitam mas dizem não
Enquanto poucos têm o que perder
e Deus se reparte em teologias
nos palcos raio Laser é lazer
Enquanto alguns vêem os tempos difíceis
muitos invadem as danceterias:
pés dançam sob a profusão de mísseis
RES COGITANS [Reynaldo Damazio]
Penso, logo minto.
No que vejo, incerto,
reside o infinito,
pesadelo sem objeto.
E se afino o tato,
mesmo sem afinco,
o real me escapa,
paródia de labirinto.
Atônito entre nomes
e números, imagens
que me consomem,
sei que esta margem,
sua textura informe,
traduz outra paisagem.
OS JOVENS BANDEIRANTES [Ulisses Tavares]
(UM SONETO SUJO DE SANGUE)
Depois dos portugueses ladinos infantes
Enganando e trucidando ingênuos silvícolas
E depois dos destemidos bandeirantes
Esmagando cocares cabeças e clavículas
Ficou estabelecida a sangrenta tradição:
Tivemos 500 anos de branca supremacia
Levando tudo do índio que ficou na mão
Sem terra, sem árvore, sem alforria
Mas foi todo o acontecido pouco
Nesta terra de manos cruéis e loucos
Inventaram uma nova moda, por esporte
Com fogo, pedras e chutes, diverte-se a escória,
Os novos bandeirantes continuando a história,
Dando aos índios a saída de sempre, a morte.
São Paulo, Brasil, 08 de janeiro 2003,
Assassinato do caingangue no Rio Grande do Sul.
ODE A GONÇALVES DIAS [Jorge Filó]
Se se morre de amor? Por fim, deveras
Pois na vida não se vive sem morrer
Do amor que acende a chama de viver
No fogo ardente de nossas quimeras.
O amor nos homens é instinto em feras
Não há comando em se tentar conter
E o fogo esparge sem se perceber
Vão-se os sentidos, nada mais ponderas.
Ah, o amor! Que sentimento insano...
Inerente a qualquer sentir humano,
É à própria existência imprescindível.
Não se vive um só dia, sem se amar,
Ou se morre de amor logo a acordar.
Morrer, viver de amor, tudo é possível.
NOITE [Lucas Tenório]
Sonhei com um soneto somente.
Era apenas um soneto, um soneto só.
Um soneto tão sozinho que dava dó.
Sonhei com um soneto, indiferente.
Era apenas um soneto, soneto mudo.
Ele não pedia nada, não me falava.
Entretanto me encarava, e tal me olhava
Como se quisesse pôr-me a par de tudo.
Mas era apenas um soneto, era mais um,
Era apenas mais um sonho, mais um perdido
E era apenas um olhar, olhar algum...
Noutro dia outra manhã, novos olhares
Dessa velha solidão nos calcanhares
E um soneto a me espreitar, adormecido.
FOTOGRAFIA [Gladis Lacerda]
Aquela foto sua ali na estante
sacada numa noite de loucura,
você deitado nu, como um gigante,
e eu lhe acariciando com ventura.
Aquela pose sua, arrebatante,
tal qual Apolo, pela formosura,
me enseja o gosto de ser sua amante,
numa paixão febril e sem censura.
A foto ali, ao meu alcance e linda,
abraço e beijo, com loucura infinda,
em minhas noites sem dormir um pouco.
Pra reviver o mágico momento
em que nua também, com sentimento,
fui toda sua num desejo louco.
UMA MULHER [Bruna Lombardi]
Uma mulher caminha nua pelo quarto
é lenta como a luz daquela estrela
é tão secreta uma mulher que ao vê-la
nua no quarto pouco se sabe dela
a cor da pele, dos pêlos, o cabelo
o modo de pisar, algumas marcas
a curva arredondada de suas ancas
a parte aonde a carne é mais branca
uma mulher é feita de mistérios
tudo se esconde: os sonhos, as axilas, a vagina
ela envelhece e esconde uma menina
que permanece onde ela está agora
o homem que descobre uma mulher
será sempre o primeiro a ver a aurora.
AO ESPELHO [Rubem Braga]
Tu, que não foste belo nem perfeito,
Ora te vejo (e tu me vês) com tédio
E vã melancolia, contrafeito,
Como a um condenado sem remédio.
Evitas meu olhar inquiridor
Fugindo, aos meus dois olhos vermelhos,
Porque já te falece algum valor
Para enfrentar o tédio dos espelhos.
Ontem bebeste em demasia, certo,
Mas não foi, convenhamos, a primeira
Nem a milésima vez que hás bebido.
Volta portanto a cara, vê de perto
A cara, tua cara verdadeira,
Oh Braga envelhecido, envilecido.
UM AMOR QUE ESMORECE NÃO É UM MORTO [Abel Silva]
Um amor que esmorece não é um morto
dentro de ti. Um amor não apodrece.
Ele se esconde, bicho absorto
você é que dele se esquece.
Então, de repente, no clarão da tarde
ou no tatibitati da madrugada
ele chega. Sua lembrança outra vez arde
e outra vez te deixa a alma atordoada.
Amor! Alguma coisa é verbo nesta flor,
o verbo inaugural, a primitiva dor
que alimenta e açoita a alma aprisionada.
E é assim que explode esta inconsútil trama:
você que me esqueceu redescobre que me ama,
descubro eu não esqueci que sem você sou nada.
[ININTITULADO] [Marcelo Sahea]
minha língua molúsculo
entra em becos vadios
cava cavernas no escuro
vaza dos vaus sombrios
tua língua molúsculo
fonte de eflúvios efêmeros
nédio nácar que osculo
super gema do gênero
nossas línguas molúsculas
musculares púrpuras
lânguidas contíguas
línguas de fogo vivas
lesmas de libar salivas
nuas e ambíguas
SONETO À MUSA ANORÉXICA [Pedro Sette Câmara]
Conquanto teu olhar nunca me desse
sinal de me quereres, e conquanto
esta seja palavra que arrefece
meu animus amante sim, "conquanto"
escrevo meu poema como prece
a Santo Antônio e aos muitos outros santos
para os quais um jejum nunca fizeste,
mas eu fiz quer dizer, talvez nem tanto.
Anoréxica musa, nos teus ossos
expostos pela ascese tão mundana
também na tua carne, ou só às vezes,
conquanto pouca, seca e sem remorsos
meus clichês amorosos e reveses
adormecem buscando a forma humana.
LÁTEX [Erick Monstavicius]
Tesa, a dura pica
Busca buça que lhe esfolhe:
Se molhada, então escolhe
Tal buça que lhe divirta.
De repente, uma capa lhe cobre
E à pica ofusca a vista!
É látex que o couro imita
Deixando a pica mole...
Merda... toca uma siririca
E deita a língua em tal buceta
Que lateja de tão aflita!
Busca então a boca ou uma teta
E esporreia na menina
Pra não acabar na punheta!
A UMA BOLEIRA [Gil Pinheiro]
Sambando, justa em jeans, Lili rebola,
e eu sonho com as grossas coxas dela
peladas sobre meias, pois diz ela
que, aparatadamente, joga bola.
Diz mais: que dá carrinho e entra de sola,
que chega junto e rasga de canela,
mas na comunidade não revela
as carnes nobres que na cancha esfola.
Agora anda espalhando que vai 'mbora,
fazer fortuna no eurofutebol.
Quem nunca viu Lili, pernas de fora,
que espere as fotos de Lili na praia
Ibiza, é claro , de biquíni, ao sol,
Na noite de Madrid, de minissaia.
SONETO À MINHA IRMÃ [Orídes Fontela]
(nascida morta)
No opaco silêncio estátuas virgens
De sal e luz trombaram, desmembradas,
No abismo das lúcidas origens
Dormem nomes e formas olvidadas.
Dormem não se levantam primitivas
Idéias puras no limbo fenecidas
Pulcras estátuas virgens, mas cativas,
À luz total do ser não prometidas.
Na memória elas pesam como puro
Tormento, arremessadas neste escuro
Poço das coisas frustradas, não nascidas:
Assim vives em mim, irmã, singela
Pulsas em mim como a visão mais bela
Entre rosas sepultas e queridas
TEDIO [Tarsila do Amaral]
Linha reta, infinita, onde a vista erradia
Em vão busca tatear um relevo que agrade,
Vago traço de união entre o erro e a verdade,
Entre a dor que compunge e o prazer que inebria...
Eterno bocejo a enodoar a estesia
Dos sentidos do Artista... Ao teu contato há de,
Certo, quebrar-se a Lira em queixas de saudade
E a alma, tonta, mergulha em funda letargia...
Ao teu bafejo hostil uma nevoa se adensa,
Que amortece, impiedosa, a luz da minha Crença
E a faz tombar em cinza, ao léu, de quando em quando...
Sinto o horror de sofrer por não poder sofrer...
E, cônscia, observo a morte e o lento apodrecer
Dos meus sonhos que vão para o Nada rolando...
SONETO DO TEU CORPO [Leoni]
Juro beijar teu corpo sem descanso
Como quem sai sem rumo prá viagem.
Vou te cruzar sem mapa nem bagagem,
Quero inventar a estrada enquanto avanço.
Beijo teus pés, me perco entre teus dedos.
Luzes ao norte, pernas são estradas
Onde meus lábios correm a madrugada
Pra de manhã chegar aos teus segredos.
Como em teus bosques. bebo nos teus rios.
Entre teus montes, vales escondidos.
Faço fogueiras, choro, canto e danço.
Línguas de lua varrem tua nuca.
Línguas de sol percorrem tuas ruas.
Juro beijar teu corpo sem descanso
SONETO BUROCRÁTICO [José Lino Grünewald]
Salvo melhor juízo doravante,
Dessarte, data vênia, por suposto,
Por outro lado, maximé, isso posto,
Todavia deveras, não obstante
Pelo presente, atenciosamente,
Pede deferimento sobretudo,
Nestes termos, quiçá, aliás, contudo
Cordialmente alhures entrementes
Sub-roga ao alvedrio ou outrossim
Amiúde nesse ínterim, senão
Mediante qual mormente, oxalá quão
Via de regra te-lo-ão enfim
Ipso facto outorgado, mas porém
Vem substabelecido assim, amém.
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