Esta página é dedicada a Ana Cristina Cesar, in memoriam


Sylvia Plath
Sylvia Plath (1932 - 1963)

DIÁRIOS REVELAM SYLVIA PLATH
EM SUAS PRÓPRIAS PALAVRAS

por Rodrigo Garcia Lopes

nos cinemas:
SYLVIA - PAIXÃO ALÉM DAS PALAVRAS



SYLVIA PLATH ENTRE O MITO E O HUMANO: A LINGUAGEM
por Andréa Santos

SYLVIA PLATH, UMA TRAGÉDIA EM VERSOS
por Ademir Assunção

NENHUM ENIGMA ELUCIDADO
por Nelson Ascher


bibliografia

LIVROS EM PORTUGUÊS:

POEMAS EM ANTOLOGIAS:

BIOGRAFIAS:

ENSAIOS E ESTUDOS CRÍTICOS:

* colaboração: Helma Freitas

OUTRAS INFORMAÇÕES:

Podem ser consultadas na Biblioteca da Universidade Aberta (Rua da Escola Politécnica, 147 – 1269-001 Lisboa) duas teses de mestrado em estudos americanos sobre Sylvia Plath:



OUÇA SYLVIA PLATH:

SYLVIA PLATH FORUM
http://www.sylviaplathforum.com/sp-audio.html



dispersos

em livros, jornais, revistas e Internet:


Para facilitar a leitura, mude a cor da página:


WORDS

Axes
After whose stroke the wood rings,
And the echoes!
Echoes travelling
Off from the center like horses.

The sap
Wells like tears, like the
Water striving
To re-estabilish its mirror
Over the rock

That drops and turns,
A white skull,
Eaten by weedy greens
Years later I
Encounter them on the road —

Words dry and riderless,
The indefatigable hoof-taps.
While
From the bottom of the pool, fixed stars
Govern a life.

Sylvia Plath

PALAVRAS

Golpes,
De machado na madeira,
E os ecos!
Ecos que partem
A galope.

A seiva
Jorra como pranto, como
Água lutando
Para repor seu espelho
sobre a rocha

Que cai e rola,
Crânio branco
Comido pelas ervas.
Anos depois, na estrada,
Encontro

Essas palavras secas e sem rédeas,
Bater de cascos incansável.
Enquanto
Do fundo do poço, estrelas fixas
Decidem uma vida.

traduzido por Ana Cristina Cesar
(in Escritos da Inglaterra, Ed. Brasiliense, Brasil, 1988, p. 173)

Ý

ARIEL

Stasis in darkness.
Then the substanceless blue
Pour of tor and distances.

God's lioness,
How one we grow,
Pivot of heels and knees! — The furrow

Splits and passes, sister to
The brown arc
Of the neck I cannot catch,

Nigger-eye
Berries cast dark
Hooks —

Black sweet blood mouthfuls,
Shadows.
Something else

Hauls methrough air —
Thighs, hair;
Flakes from my heels.

White
Godiva, I unpeel —
Dead hands, dead stringencies.

And now I
Foam to wheat, a glitter of seas.
The child's cry

Melts in the wall.
And I
Am the arrow,

The dew that flies
Suicidal, at one with the drive
Into the red

Eye, the cauldron of morning.

Sylvia Plath

ARIEL

Estase no escuro.
E um fluir azul sem substância
De penhasco e distâncias.

Leoa de Deus,
Nos tornamos uma,
Eixo de calcanhares e joelhos! — O sulco

Fende e passa, irmã do
Arco castanho
Do pescoço que não posso abraçar,

Olhinegras
Bagas expelem escuras
Iscas —

Goles de sangue negro e doce,
Sombras.
Algo mais

Me arrasta pelos ares —
Coxas, pêlos;
Escamas de meus calcanhares.

Godiva
Branca, me descasco —
Mãos secas, secas asperezas.

E agora
Espumo com o trigo, reflexo de mares.
O grito da criança

Escorre pelo muro
E eu
Sou a flexa,

Orvalho que avança,
Suicida, e de uma vez se lança
Contra o olho

Vermelho, fornalha da manhã.

traduzido por Rodrigo Garcia Lopes e Maurício Arruda Mendonça
(in jornal NICOLAU nº 15, Brasil, 1988, p. 20 - 21)

Ý

EDGE

The woman is perfected.
Her dead

Body wears the smile of accomplishment,
The illusion of a Greek necessity

Flows in the scrolls of her toga,
Her bare

Feet seem to be saying:
We have come so far, it is over.

Each dead child coiled, a white serpent,
One at each little

Pitcher of milk, now empty.
She has folded

Them back into her body as petals
Of a rose close when the garden

Stiffens and odors bleed
From the sweet, deep throats of the night flower.

The moon has nothing to be sad about,
Staring from her hood of bone.

She is used to this sort of thing.
Her blacks crackle and drag.

Sylvia Plath

LIMITE

A mulher está perfeita.
Seu corpo

Morto enverga o sorriso de completude,
A ilusão de necessidade

Grega voga pelos veios da sua toga,
Seus pés

Nus parecem dizer:
Já caminhamos tanto, acabou.

Cada criança morta, enrodilhada, cobra branca,
Uma para cada pequena

Tigela de leite vazia.
Ela recolheu-as todas

Em seu corpo, como pétalas
Da rosa que se encerra, quando o jardim

Enrija e aromas sangram
Da fenda doce, funda, da flor noturna.

A lua não tem porque estar triste
Espectadora de touca

De osso; ela está acostumada.
Suas crateras trincam, fissura.

traduzido por Luiz Carlos de Brito Rezende
(in FOLHETIM Poemas Traduzidos, Ed. Folha de S. Paulo, Brasil, 1987, p. 65)

Ý

SHEEP IN FOG

The hills step off into whiteness.
People or stars
Regard me sadly, I disappoint them.

The train leaves a line of breath.
O slow
Horse the color of rust,

Hooves, dolorous bells —
All morning the
Morning has been blackening,

A flower left out.
My bones hold a stillness, the far
Fields melt my heart.

They threaten
To let me through to a heaven
Starless and fatherless, a dark water.

Sylvia Plath

OVELHA NA BRUMA

As colinas somem na brancura.
Estrelas ou pessoas
Olham-me tristes, vexadas comigo.

O trem lega uma linha de sopros.
O tardio
Cavalo de cor enferrujada,

Cascos, dolentes guizos —
Toda manhã
A Manhã ficou escura.

Essa flor perdida.
Meus ossos fruem duma calma, os campos
Distantes derretem meu coração.

Ameaçam
Deixar-me seguir pelo céu
Órfão e sem estrelas, água turva.

traduzido por Marcos de Farias Costa
(in DIMENSÃO Revista de Poesia, nº 18/19, Ed. Guido Bilharinho, Brasil, 1989, p. 65)

Ý

MIRROR

I am silver and exact. I have no preconceptions.
Whatever I see I swallow immediately
Just as it is, unmisted by love or dislike.
I am not cruel, just truthful —
The eye of a little god, four cournered.
Most of the time I meditate on the opposite wall.
It is pink, with speckles. I have looked at it so long
I think it is a part of my heart. But it flickers.
Faces and darkness separate us over and over.

Now I am a lake. A woman bends over me,
Searching my reaches for what she really is.
Then she turns to those liars, the candles or the moon.
I see her back, and reflect it faithfully.
She rewards me with tears and an agitation of hands
I am important to her. She comes and goes.
Each morning it is her face that replaces the darkness.
In me she has drowned a young girl, and in me an old woman
Rises toward her day after day, like a terrible fish.

Sylvia Plath

ESPELHO

Sou prateado e exato. Não tenho preconceitos.
Tudo o que vejo engulo imediatamente
Do jeito que for, desembaçado de amor ou aversão.
Não sou cruel, apenas verdadeiro —
O olho de um pequeno deus, de quatro cantos.
Na maior parte do tempo medito sobre a parede em frente.
Ela é rosa, pontilhada. Já olhei para ela tanto tempo,
Eu acho que ela é parte do meu coração. Mas ela oscila.
Rostos e escuridão nos separam toda hora.

Agora sou um lago. Uma mulher se dobra sobre mim,
Buscando na minha superfície o que ela realmente é.
Então ela se vira para aquelas mentirosas, as velas ou a lua.
Vejo suas costas, e as reflito fielmente.
Ela me recompensa com lágrimas e um agitar das mãos.
Sou importante para ela. Ela vem e vai.
A cada manhã é o seu rosto que substitui a escuridão.
Em mim ela afogou uma menina, e em mim uma velha
Se ergue em direção a ela dia após dia, como um peixe terrível.

traduzido por André Cardoso
(in 34 LETRAS, nº 5/6, Ed. 34 Literatura e Nova Fronteira, Brasil, 1989)

Ý

MUSHROOMS

Overnight, very
Whitely, discreetly,
Very quietly

Our toes, our noses
Take hold on the loam,
Acquire the air.

Nobody sees us,
Stops us, betrays us;
The small grains make room.

Soft fists insist on
Heaving the needles,
The leafy bedding,

Even the paving.
Our hammers, our rams,
Earless and eyeless,

Perfectly voiceless,
Widen the crannies,
Shoulder through holes. We

Diet on water,
On crumbs of shadow,
Bland-mannered, asking

Little or nothing.
So many of us!
So many of us!

We are shelves, we are
Tables, we are meek,
We are edible,

Nudgers and shovers
In spite of ourselves.
Our kind multiplies:

We shall by morning
Inherit the earth.
Our foot's in the door.

Sylvia Plath

COGUMELOS

Varando a noite, com
Brandura, brancura,
Silêncio absoluto,

Do artelho aos narizes
Tomamos posse da argila
E do ar adquirido.

Ninguém nos avista,
Nos detém, nos agride;
Evadem-se os grãozinhos.

Punhos suaves insistem
Em brandir agulhas,
O recheio folhudo,

Até o calçamento.
Nossos martelos, marretas,
Sem olhos e ouvidos,

De voz nem um fio
Alargam as gretas,
Ombro abrindo fendas. Nós

Vivevos a pão e água,
Migalhas de sombra,
Com modos afáveis,

Inquirindo pouco ou nada.
São tantos de nós!
São tantos de nós!

Somos estantes, somos
Mesas, somos humildes,
Somos comestíveis,

Aos trancos e arranques
Apesar de nós mesmos
Nossa espécie se expande:

Pela manhã, havemos
De herdar o planeta.
E nosso pé porta adentro.

traduzido por Flávio Quintiliano
(in jornal LEIA, nº 121, Brasil, 1989, p. 50)

Ý

THE MUNICH MANNEQUINS

Perfection is terrible, it cannot have children.
Cold as snow breath, it tamps the womb

Where the yew trees blow like hydras,
The tree of life and the tree of life

Unloosing their moons, month after month, to no purpouse.
The blood flood is the flood of love,

The absolute sacrifice.
It means: no more idols but me,

Me and you.
So, in their sulfur loveliness, in their smiles

These mannequins lean tonight
In Munich, morgue between Paris and Rome,

Naked and bald in their furs,
Orange lollies on silver sticks,

Intolerable, without minds.
The snow drops its pieces of darkness,

Nobody's about. In the hotels
Hands will be opening doors and setting

Down shoes for a polish of carbon
Into which broad toes will go tomorrow.

O the domesticity of these windows,
The baby lace, the green-leaved confectionery,

The thick Germans slumbering in their bottomless Stolz.
And the black phones on hooks

Glittering
Glittering and digesting

Voicelessness. The snow has no voice

Sylvia Plath

OS MANEQUINS DE MUNIQUE

A perfeição é horrível, ela não pode ter filhos.
Fria como o hálito da neve, ela tapa o útero

Onde os teixos inflam como hidras,
A árvore da vida e a árvore da vida.

Desprendendo suas luas, mês após mês, sem nenhum objetivo.
O jorro de sangue é o jorro do amor,

O sacrifício absoluto.
Quer dizer: mais nenhum ídolo, só eu

Eu e você.
Assim, com sua beleza sulfúrica, com seus sorrisos

Esses manequins se inclinam esta noite
Em Munique, necrotério entre Roma e Paris,

Nus e carecas em seus casacos de pele,
Pirulitos de laranja com hastes de prata

Insuportáveis, sem cérebro.
A neve pinga seus pedaços de escuridão.

Ninguém por perto. Nos hotéis
Mãos vão abrir portas e deixar

Sapatos no chão para uma mão de graxa
Onde dedos largos vão entrar amanhã.

Ah, essas domésticas janelas,
As rendinhas de bebê, as folhas verdes de confeito,

Os alemães dormindo, espessos, no seu insondável desprezo.
E nos ganchos, os telefones pretos

Cintilando
Cintilando e digerindo

A mudez. A neve não tem voz.

traduzido por Claudia Roquette-Pinto
(in jornal VERVE, nº 14, Brasil, 1988, p. 8)

Ý

MAD GIRL'S LOVE SONG

I shut my eyes and all the world drops dead;
I lift my lids and all is born again.
(I think I made you up inside my head.)

The stars go waltzing out in blue and red,
And arbitrary blackness gallops in:
I shut my eyes and all the world drops dead.

I dreamed that you bewitched me into bed
And sung me moon-struck, kissed me quite insane.
(I think I made you up inside my head.)

God topples from the sky, hell's fires fade:
Exit seraphim and Satan's men:
I shut my eyes and all the world drops dead.

I dreamed that you bewitched me into bed
And sung me moon-struck, kissed me quite insane.
(I think I made you up inside my head.)

God topples from the sky, hell's fires fade:
Exit seraphim and Satan's men:
I shut my eyes and all the world drops dead.

I fancied you'd return the way you said,
But I grow old and I forget your name.
(I think I made you up inside my head.)

I should have loved a thunderbird instead;
At least when spring comes they roar back again.
I shut my eyes and all the world drops dead.
(I think I made you up inside my head.)

Sylvia Plath

CANÇÃO DE AMOR DA JOVEM LOUCA

Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro
Ergo as pálpebras e tudo volta a renascer
(Acho que te criei no interior da minha mente)

Saem valsando as estrelas, vermelhas e azuis,
Entra a galope a arbitrária escuridão:
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro.

Enfeitiçaste-me, em sonhos, para a cama,
Cantaste-me para a loucura; beijaste-me para a insanidade.
(Acho que te criei no interior de minha mente)

Tomba Deus das alturas; abranda-se o fogo do inferno:
Retiram-se os serafins e os homens de Satã:
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro.

Imaginei que voltarias como prometeste
Envelheço, porém, e esqueço-me do teu nome.
(Acho que te criei no interior de minha mente)

Deveria, em teu lugar, ter amado um falcão
Pelo menos, com a primavera, retornam com estrondo
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro:
(Acho que te criei no interior de minha mente.)

traduzido por Maria Luíza Nogueira
(in A REDOMA DE CRISTAL, Ed. Artenova, Brasil, 1971, p. 255)

Ý

RESOLVE

Day of mist: day of tarnish

with hands
unserviceable, I wait
for the milk van

the one-eared cat
laps its gray paw

and the coal fire burns

outside, the little hedge leaves are
become quite yellow
a milk-film blurs
the empty bottles on the windowsill

no glory descends

two water drops poise
on the arched green
stem of my neighbor's rose bush

o bent bow of thorns

the cat unsheathes its claws
the world turns

today
today I will not
disenchant my twelve black-gowned examiners
or bunch my fist
in the wind's sneer.

Sylvia Plath

DECISÃO

Dia nublado: dia cinzento

fico
de mãos bobas
esperando o leiteiro

o gato de uma orelha
lambe a pata cinza

e ardem brasas em chamas

lá fora, vão ficando amarelinhas
as folhas da trepadeira
uma fina fita de leite
embaça garrafas vazias na janela

nenhuma glória provém

duas gotas se equilibram
numa verde envergada
haste da roseira na casa ao lado

ó se arca de espinhos

o gato afia as garras
o mundo gira

hoje
hoje não irei
desiludir meus doze engalanados examinadores
nem cerrarei meu punho
na ironia do vento.

Traduzido por Elson Fróes
(in jornal POIESIS, nº 38, Brasil, l996, pag. 7)

 

d i s p e r s o s

 


 


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